terça-feira, 20 de setembro de 2011

HOJE - Manifestação pela Criação da Palestina - 17h - Teatro Municipal

Caros, por favor, nos ajudem a espalhar este convite na rede pela Internet. Esse evento precisa ter ampla participação de massas não só para demonstrarmos a solidariedade dos brasileiros aos palestinos, mas também fazermos a campanha crescer em plano mundial, para infligirmos uma poderosa derrota no imperialismo norte-americano e no sionismo político de Israel. Mais de 40 entidades nacionais de todos os setores e segmentos da sociedade civil, envolvendo partidos, todas as seis centrais, movimento negro, das mulheres, da juventude, de estudantes e religiosos nos ajudam a convocar o evento, que ocorrerá na próxima terça-feira, dia 20 de setembro, a partir das 17h na Praça Ramos de Azevedo (em frente ao Teatro Municipal, esquina com o Viaduto do Chá).
A respectiva votação na ONU pela criação do Estado da palestina inicia-se no dia 21 de setembro, quando a 66ª assembleia das Nações unidas será aberta com um discurso da presidente Dilma Roussef, que representa nosso país, que reconheceu o Estado da Palestina com as fronteiras de 1967 desde dezembro de 2010 quando sob a presidência do companheiro Lula.
Por favor, nos ajude nisso, enviando para suas malas pessoais de correios eletrônicos e/ou colocando a imagem do cartaz nas suas páginas sociais do Facebook e Orkut e outras redes. Vale a pena esse movimento e essa solidariedade. Talvez esta seja a causa mais justa que possamos vivenciar no mundo atual hoje.
Abraços fraternais e obrigado pela ajuda.

domingo, 18 de setembro de 2011

Semana "Palestina e o Mundo" na USP


A Frente Palestina USP realizará uma série de eventos na semana em que a Assembléia das Nações Unidas estará debatendo e votando sobre o Estado palestino. Haverá duas mesas de debate sobre a votação, questões relativas à criação de um ou dois estados na região, e as implicações da Primavera Árabe no tema.

Além disso, será realizado, juntamente a organizações sindicais, movimentos palestinos e de direitos humanos, MST, ativistas e intelectuais, um ato de lançamento da campanha BDS (Boicotes, desivestimentos e sanções ao Estado de Israel). A campanha, cujas inspirações advêm da mobilização da comunidade internacional na luta contra apartheid sul-africano, visa combater e dar visibilidade às violações aos Direitos Humanos e ao Direito Internacional perpetradas pelo Estado israelense, o qual vem constituindo um regime de segregação, injustiça e violência.

Semana "Palestina e o Mundo"


19 de setembro, segunda-feira, às 18h30
Auditório da História - FFLCH, USP (Cidade Universitária)
Debate: A votação do Estado palestino na ONU - parte I
Com:
- Reginaldo Nasser (Relações Internacionais - PUC)
- Arlene Clemesha (Línguas Orientais - USP)
- Celso Zilbavicius (Chinuch- Marcha da Vida)
- Soraya Misleh (Movimento Palestina para Tod@s)

20 de setembro, terça-feira, às 18h30
Sala dos Estudantes - Faculdade de Direito, USP (Largo São Francisco)
Ato de Lançamento da Campanha BDS a Israel no Brasil

22 de setembro, quinta-feira, às 18h00
Auditório da História - FFLCH, USP (Cidade Universitária)
Debate: A votação do Estado palestino na ONU - parte II
Com:
- Arlene Clemesha (Letras Orientais- USP)
- Leonel Itaussu (Ciências Políticas - USP)
- Salem Nasser (Direito - FGV)
- Valério Arcary (IFE- SP)
Contamos com sua presença e apoio na divulgação!


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Visita inesperada


Acordo estranho. Converso comigo mesmo, enquanto preparo o café. Vejo o tio Semaan, cachecol e boina, me observando e conversando comigo dentro da minha cabeça:
- E ai, tio, ainda por aqui?
- tenho que terminar umas coisinhas... - responde o tio Semaan, reticente.
- E meu pai, tio, como ele está? - pergunto.
- Seu pai, em tempos de primavera árabe, está muito ocupado... fazendo algumas cabeças.
- É, eu precisava dele também...
- Não, não precisa, Babel - responde o tio Semaan em tom repreensivo e ao mesmo tempo professoral - Você tem tudo o que precisa aqui mesmo.

sábado, 18 de junho de 2011

Miolos com ovos - Ajudando a entender a mente árabe-síria


Bem, não vou ficar tecendo tratad0s de defesa do povo árabe aqui. Não por nada, mas minha pequena voz às vezes fica rouca ao debater com a grande mídia, e porque hoje não é o objetivo. Mas, para se entender parte da lógica árabe, vou recorrer ao seu ponto forte: A Culinária.
Aldeões árabes não são grandes comedores de carne. Verduras, grãos, ovos, laticínios e azeite são a base de sua alimentação. Ah, sim, um frango de vez em quando, um carneiro ou bezerro em dias de comemoração. O velho Hanna, meu pai, sempre adorou miúdos, de boi, carneiro ou galinha. Eu sempre questionava, achava estranho e desnecessário ele comprar aquelas coisas, mas ele dizia: "Aqui no Brasil eles vendem barato, jogam fora. Quantos rins tem um boi? Quantos miolos? Quantos corações? A carne de boi na Síria não tem os mesmos cortes que tem aqui, eles a comem moída ou em cubos... )" e daí ele me passava a ideia de que carne é carne, e o que fazia a diferença eram os miúdos, vendidos proporcionalmente bem mais caro pelo açougueiro que o "resto". Ah, sim, vale destacar que a luz elétrica só chegou ao vilarejo de Bedada em torno de 1980. Então, "açougueiro" não era o dono de um frigorífico, mas sim o cara que, uma vez a cada semana ou quinzena, abatia um boi ou dois e o vendia a um agrupamento de 6 mil pessoas no máximo.
Quando meu pai olhava um boi retalhado na feira, comprava rins, língua e miolos, dentre outros. Não era muito chegado em fígado de boi. Os árabes em geral (de todos os países onde se fala a língua) comem fígado de carneiro recém-abatido, cru, cortado em cubinhos, com azeite de oliva, sal e pimenta - mas, isso só ocorria em dias festivos... bárbaro, não?
Domingo pela manhã, meu pai ia a feira, e voltava com seus peixes a limpar e seus miúdos a cozer. E fazia um de seus pratos prediletos, miolos com ovos, uma espécie de fritada de miolos... experimente! Mas tem que se comer com pão Sírio...
Um dia, na casa de praia, recebi alguns amigos, e meu pai decidiu fazer o churrasco. Serviu uma linguiça diferente, amarelada, aprovada por todos, mas recebida inicialmente com estranheza. Eram testículos de boi, que meu pai havia comprado aos montes...
E ai, entendeu um pouco mais a mente árabe-síria?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Cigarros na Câmara de Gás


Imagine um mundo onde fumar, além de ser completamente permitido, ainda era estimulado. Carros de corrida, propagandas, esportes radicais, cigarro associado à liberdade, à vitória, a carros, a mulheres... fumar era ser adulto e bem sucedido, na década de 80. Eu tinha doze anos quando comecei a filar cigarros dos meus pais ou da empregada de casa. Comecei a fazer isso na mesma época em que queria desesperadamente crescer e fazer coisas que os adultos ao meu redor faziam, entre um cigarro ou outro.
Morávamos no bairro do Paraíso, em São Paulo. Mudamos para o Paraíso em 1977, quando minha mãe decidiu dar um "salto" em nossa qualidade de vida, na visão dela, deixando para trás o bem menos "chic" bairro do Pari, onde morávamos até então. Em 1980, fomos para um novo apartamento, também no Paraíso, este sim comprado, e onde vivi até meus 27 anos.
Em 1982 eu tinha 12 anos, e no meu condomínio moravam diversos garotos entre 8 e 14 anos. Um dia, resolvi mostrar a um amigo que eu era "fumante". Fomos ao "Gás", um antigo depósito de botijões, da época em que não havia gás encanado., Era um corredor feito de concreto, dividido em três partes, com uma meia laje que impedia os botijões de tomarem chuva, mas aberto, impedindo que qualquer vazamento se tornasse uma tragédia.
Como não havia mais função para o "Gás", a mulher do zelador do prédio, o Ferreira, pendurava roupas para secar ali. Também servia de depósito para restos de obras, como tijolos e areia.
Bem, em pouco tempo, quase todos os garotos do prédio se encontravam no "Gás" para fumar, falar de suas vidas, falar de mulheres, de suas experiências de puberdade... cada um juntava suas moedas para ir ao bar ou à padaria comprar cigarros "para o pai". Marlboro e Galaxy eram as marcas mais desejadas, mas ninguém recusava um John Player Special (JPS), Parliament (com seu filtro furado) ou um bom mentolado. Escondíamos os maços em meio aos tijolos e buracos nas paredes do "Gás", juntamente com as revistas e outras tralhas, como bolas, cinzeiros e até jogos. E o "Gás" passou a ser o nosso clube, talvez um dos melhores clubes das nossas vidas.
Porém, parece que tudo o que não é dito e oficializado é menos complicado... decidimos transformar o gás num verdadeiro clube. Fomos falar com o Ferreira. A ideia era colocar uma porta e telhas no último terço do "Gás". Ferreira concordou em ajudar, embora achasse que a bronca sobraria para ele...
A porta seria uma grade de alumínio velha jogada no "Gás". Mas a parede onde seria colocada a porta necessitaria de tijolos, e ainda tínhamos que providenciar as telhas. Não foi difícil. Em frente ao prédio havia uma reforma de uma casa que viria a ser a famosa "Presto Pizzas", hoje em outro endereço. Bem na frente da casa, uma pilha de tijolos lindos e novos perdera algumas peças, das quais ninguém sentiu falta até hoje. E as telhas foram herdadas de um a demolição.
|Ferreira agiu rápido, e a porta foi logo colocada. Mas as telhas geraram insegurança, pois o "Gás" era bem visível da casa da Síndica... que já havia percebido a movimentação no local.
Quando a porta foi erguida, a briga pelo clube começou. As telhas nem chegaram a ser colocadas de modo fixo, apenas apoiadas, mas como havia o perigo de elas caírem para o prédio vizinho, foram retiradas.
Até que um dia, a Síndica, com base em algum estatuto do condomínio ou da lei que regia condomínios, nos proibiu de continuar frequentando o clube, ou de fomentar a ideia do clube, não me lembro bem.
No entanto, o clube foi desfeito mesmo quando um dos garotos confessou à mãe que ele, seu irmão e todos nós nos reuníamos para fumar. Essa mãe falou com a mãe de todos os outros, esses garotos foram proibidos por um longo tempo de frequentar o térreo ou a casa dos amigos, e fim.
Uns 6 meses depois, o irmão mais velho do delator, tendo passado suas férias em Santos, me procurou. Nessa conversa, ele disse que eu, na verdade, não sabia fumar, pois não tragava, o que era verdade, embora eu nem soubesse que tal façanha era possível. Então, ele me ensinou que tragar era levar a fumaça ao pulmão. Para que eu provasse mesmo que estava tragando, teria que aspirar a fumaça, dizer a frase "fui no mato buscar lenha, fiz o fogo, olha a fumaça", e ai sim, soltar.
Poucos anos depois, o gás foi demolido, talvez com um maço de cigarros ou outro ainda escondido entre seus escombros. Eu fumei até 2007 regularmente, e hoje fumo "se me dão", em festas e reuniões, com pessoas cada vez menos jovens, mas ainda interessantes.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Perdas Prematuras em Céu de Brigadeiro


Hoje encontrei uma amiga de infância da minha tia Aliçar, a Fátima, da época em que morávamos no bairro do Pari, em São Paulo, e a casa dessa amiga e a da minha avó, na Capitão Mor Passos ficavam na mesma quadra. Aliás, o responsável pelo reencontro das duas, após um distanciamento de 16 anos, foi este nada frequente blog. Já serviu de alguma coisa...
Juntas, elas lembraram de episódios da minha infância, aliás da nossa, pois àquela época eram meninas também. Dentre diversos assuntos, me lembrei da mãe dela, dona Lourdes, e da sua morte prematura, aos 46 anos, uma apendicite diagnosticada tardiamente. Apesar da distância do tempo, apesar da minha pouca idade, me emocionei. Dona Lourdes era minha amiga. Enquanto minha tia e madrinha Suria se incumbia da missão de me colocar na linha no quesito alimentação (sim, caro leitor, aos 7 anos eu já era um amante fervoroso de guloseimas, e estava bem acima do peso recomendado pela OMS para garotinhos da minha idade...), dona Lourdes preparava para mim lanches, ou me dava bananas, ou pedaços de bolo. E conversávamos em sua cozinha. Eu saia da casa da minha avó, sem dar maiores explicações e, solto no bairro, ganhava os 100 m que separavam a casa da minha avó da de D. Lourdes, que me esperava com seus lanches maravilhosos. Certa vez fui surpreendido pela minha tia Suria, que me ordenou que eu largasse os quitutes. Como não concordava com ela, me escondi no banheiro, junto com os lanches...
Um dia fui atrás de D. Lourdes e não a encontrei. Sua outra filha, Emília, explicou-me que ela nao voltaria mais, pois ela estava no céu. Olhei para cima e vi dona Lourdes subindo, sumindo num céu azul de um dia frio como hoje.


quarta-feira, 9 de março de 2011

O Olhar que não Vê o Coração

"Hamsa" ou "mão de Fátima"
na Simbologia Islãmica


Sempre me falaram que, na Síria, se você olhasse para uma menina, tinha que casar. É claro que era um exagero, mas você pode imaginar o peso de um olhar em um mundo muito mais contido, onde insinuações contam quase tanto quanto toques.

Em uma aldeia sem praça, um apanhado de casas, a diversão dos rapazes era beber e fumar na casa dos outros, ou então andar de mãos dadas pela estrada que rodeava o vilarejo (sim, rapazes heterossexuais) trocando confidências ao pôr do sol e arriscando um olhar às meninas que faziam a mesma coisa, na mesma hora.

Charif, meu primo cristão, havia se encantado por uma linda morena muçulmana. Muçulmanos em uma aldeia predominantemente cristã eram discriminados ou, ao menos, não eram escolha aceitável para jovens cristãos, na cabeça de suas mães cristãs.

Era minha última noite em Bedada, resolvi dar uma festa de despedida, e meus primos e amigos dançavam dabki, bebibam Arak e conversavam animadamente em torno da mesa comprida que improvisamos. Em dado momento, Charif me chama e pede que eu vá até o portão da casa com ele. Então a morena muçulmana entra, linda. Ele entrelaça a mão com a dela, olhando-a de frente, olhos nos olhos, faz algumas juras de amor, ela fica tímida, eles trocam um beijo rápido e ela sai. Eu fui o álibi do Charif. Entendi naquela noite que o mundo árabe, mais precisamente o coração árabe, é cheio de sutilezas que a mente ocidental melhor dizendo o olhar ocidental, custa muito a entender. O olhar ocidental não enxerga o coração árabe.

Charif tinha passado por diversos tratamentos, mas o câncer que carregava era muito agressivo, já havia custado a ele um braço, mas ainda avançava. Dois anos depois da cena que narrei acima, o jovem e apaixonado Charif morreu, muito antes de eu imaginar um dia contar um pequeno trecho de sua história.