quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Claude esquece o Árabe e Laurice aprende o Português



Em 1958, Claude tinha cerca de sete anos de idade, e já havia sido alfabetizada no Líbano. No Brasil, aprender o português significava ter que começar de novo. Porém, Claude era a mais apta da família a se comunicar com os brasileiros, pois seus irmãos eram pequenos demais, e seus pais libaneses demais. Sua mãe Laurice relutou muito em aprender o português, até a morte de seu pai no Líbano, em 1972.
Laurice precisava de ajuda para tocar a vida nova dentro da casa, enquanto Yourghaky buscava ganhar o sustento. A filha mais velha, Claude, ia à quitanda com a mãe, buscando servir de intérprete e tentando também aprender. Descobriram que muitas hortaliças eram comuns aos dois países, e que apesar de a variedade brasileira ser maior, algumas coisas de lá não se achava por aqui . Descobriram também que Nànàa é Hortelã, Al Hass é Alface (parece brincadeira, mas é fato que quase tudo que começa com Al em português é de origem árabe). Demoraram para descobrir o nome em português do coentro.
Além de tudo isso, Claude foi à escola, e percebeu que tinha afinidade com os estudos. Estudou muito, e sempre foi considerada "Chatra", uma pessoa vitoriosa e inteligente. Com o tempo, o uso do intenso do português para leitura e escrita fez com que Claude fosse se esquecendo da grafia do árabe. Nunca poderia se esquecer do árabe falado, que praticava diariamente, mas a exigência da imersão no Brasil fez com que um pequeno pedaço do Líbano tivesse que ser deixado de lado, concessões às vezes necessárias àqueles que desejam se adaptar.

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