quarta-feira, 18 de maio de 2011

Perdas Prematuras em Céu de Brigadeiro


Hoje encontrei uma amiga de infância da minha tia Aliçar, a Fátima, da época em que morávamos no bairro do Pari, em São Paulo, e a casa dessa amiga e a da minha avó, na Capitão Mor Passos ficavam na mesma quadra. Aliás, o responsável pelo reencontro das duas, após um distanciamento de 16 anos, foi este nada frequente blog. Já serviu de alguma coisa...
Juntas, elas lembraram de episódios da minha infância, aliás da nossa, pois àquela época eram meninas também. Dentre diversos assuntos, me lembrei da mãe dela, dona Lourdes, e da sua morte prematura, aos 46 anos, uma apendicite diagnosticada tardiamente. Apesar da distância do tempo, apesar da minha pouca idade, me emocionei. Dona Lourdes era minha amiga. Enquanto minha tia e madrinha Suria se incumbia da missão de me colocar na linha no quesito alimentação (sim, caro leitor, aos 7 anos eu já era um amante fervoroso de guloseimas, e estava bem acima do peso recomendado pela OMS para garotinhos da minha idade...), dona Lourdes preparava para mim lanches, ou me dava bananas, ou pedaços de bolo. E conversávamos em sua cozinha. Eu saia da casa da minha avó, sem dar maiores explicações e, solto no bairro, ganhava os 100 m que separavam a casa da minha avó da de D. Lourdes, que me esperava com seus lanches maravilhosos. Certa vez fui surpreendido pela minha tia Suria, que me ordenou que eu largasse os quitutes. Como não concordava com ela, me escondi no banheiro, junto com os lanches...
Um dia fui atrás de D. Lourdes e não a encontrei. Sua outra filha, Emília, explicou-me que ela nao voltaria mais, pois ela estava no céu. Olhei para cima e vi dona Lourdes subindo, sumindo num céu azul de um dia frio como hoje.


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